Mudanças climáticas ameaçam seriamente bacias do Nordeste até 2100, diz Ipea
Estudo aponta que impactos podem motivar perda de confiabilidade no sistema de geração hidrelétrico, com redução de 31,5% a 29,3% da energia firme
Os impactos das mudanças do clima para o Brasil seriam alarmantes em algumas bacias hidrográficas, principalmente na região Nordeste, com uma diminuição brusca das vazões até 2100 e também mais moderadamente na região Norte. A avaliação consta na quarta edição do Boletim Regional, Urbano e Ambiental, divulgada nesta quarta-feira, 22 de setembro, pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea). Segundo o estudo, tal diminuição pode gerar uma perda de confiabilidade no sistema de geração hidrelétrico, com redução de 31,5% a 29,3% da energia firme.
No Nordeste, de acordo com as estimativas, o declínio de precipitação afetaria a vazão de rios em importantes bacias da região, como a do Parnaíba e a do Atlântico Leste, com redução de vazões de até 90% entre 2070 e 2100. No Sul e no Sudeste, segundo os estudos, os impactos seriam mínimos ou positivos. No entanto, isso não seria suficiente para compensar as perdas do Norte e do Nordeste.
De acordo com os dados do estudo, seria necessário instalar uma capacidade extra para gerar entre 162 TWh por ano e 153 TWh/ano para manter a confiabilidade do sistema energético. Os valores correspondem, respectivamente, a 25% e 31% da oferta interna de energia elétrica em 2008. A preferência para essa geração é a partir do gás natural, bagaço de cana e energia eólica, a um custo de capital da ordem de US$ 51 bilhões a US$ 48 bilhões, segundo o estudo do Ipea.
O boletim, elaborado por 25 autores, traz doze artigos que abordam aspectos relacionados à economia da mudança do clima; aos impactos em atividades agrícolas; aos aspectos regulatórios; aos principais acordos internacionais; às ações de mitigação; às alternativas limpas de desenvolvimento; e à chamada justiça climática.
Danilo Oliveira, da Agência CanalEnergia, Meio Ambiente
22/09/2010